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quarta-feira, junho 18, 2008

A ultima noite...

De Kathmandu voamos para Calcutta, chegamos no final da tarde e fomos diretamente para um hotel proximo ao aeroporto indicado pelo nosso livro da India.
A rua estava em construcao, o transito uma zona, tanta coisa acontece numa rua da India, incrivel! Gente para todo lado... e buzinas.. ai como me incomoda as buzinas!
O "hotel" era antigo, nosso quarto era um quarto indiano mas com privada no banheiro. Lencois manchados (para nao dizer sujos), janela com vista para parede, televisao que nao funciona e ventilador de teto barulhento.
Mas incrivelmente essa noite levamos tudo na esportiva! Ja haviamos comido no aviao entao nao fomos jantar na cidade, ficamos no quarto jogando baralho e rindo da nossa experiencia.. sabiamos que algumos horas depois estariamos novamente no aeroporto para ir a Bangkok.
O despertador tocou as 4 da manha e o mesmo taxista que haviamos pego na noite anterior estava esperando por nos na porta do hotel. O carro? Um daqueles Ambassador amarelo, carro tipico de Calcutta!

quarta-feira, maio 14, 2008

DELHI

Em Jaisalmer pegamos um trem que demorou 19 horas para chegar a Delhi. Compramos passagens para classe 3AC, um pouco melhor do que a que vinhamos viajando. O vagao tem ar condicionado e por isso as janelas estao fechadas, portanto 'e bem mais silencioso. Outra vantagem 'e que fornecem roupa de cama, travesseiro e cobertor! Um luxo!! Dormi quase toda a viagem.
Antes mesmo de chegar a estacao deu para ter uma ideia do tamanho de Delhi e da pobreza que existe ai. Favelas, barracos, lixo, muito lixo! Quando estavamos dentro da cidade o trem parou, deveria estar esperando outro trem passar para poder avançar, e nosso vagao ficou bem embaixo de uma ponte. Charlie e eu olhavamos pela janela impressionados como algumas pessoas coletavam e bebiam agua que caia de uma goteira de uma das paredes da ponte. Miseria.
Quando chegamos a estaçao e dali conseguimos um taxi pre-pago ate a regiao onde estao a maioria de hoteis para mochileiros. Encontramos um hotel razoavel depois de ver alguns "muquifos". Fomos a um hotel e o garto nos mostrou um quarto que estava com os lençois sujos, cabelos no ralo do banhiro, toalhas marrons e com cheio de suor, eu perguntei ao garoto "voce nao tem um quarto limpo?" e ele respondeu "Nao". Ah confesso que nao vou sentir saudades deste lado da India!!

Mas finalmente encontramos algo razoavel e saimos para explorar a cidade. Fazia muito calor e o caos nas ruas desanimava um pouco. As pessoas esbarram em voce, os animais impedem a passagem, os carros, motos e rickshaws tocam bozinas sem parar e avançam sem menor prudencia. No mesmo dia em que chegamos conseguimos passagens para Kathmandu, partiriamos dois dias depois.

Para comemorar que tinhamos data marcada para sair da india fomos comer Veggie Burger no McDonald's (recomendaçao de Carmen e Brady) e depois fomos no cinema assitir um filme de Bollywood. Os filmes indianos sao tem grandes producoes, muitos figurantes e geralmente duram 3 horas. O que fomos assistir nao era diferente, nao tinha legenda mas deu para entender o contexto do filme. Muitas cores, muita musica, dança sincronizada mas nada de beijo!! mesmo a cena mais romantica ficou no olhar fuminante e depois veio o abraço.. beijo nem pensar! Qualquer demostracao fisica de carinho entre homem e mulher em publico 'e super mal visto e isso vale para os filmes tambem.

Na manha seguinte fomos de metro inaugurado ha pouco para Old Delhi conhecer a maior mesquita da India, Jama Masjid. Para poder entrar tive que tirar meus sapatos e vestir um robe que cobria todo meu corpo. A mesquita foi originalmente construida em marmore e red stone. O seu campo aberto é capaz de abrigar mais de 25mil pessoas.

Dali fomos passear pelas ruas de Old Delhi, lodo deu para perceber a influencia muçulmana. Minha impressao era que para cada 50 homens havia uma mulher... e essa usava uma burca! Alem disso havia muitos vendedores de carne! Se vc encontrar um açougue na India pode ter certeza que o dono é muçulmano. Passamos quase o dia todo em Old Delhi, caminhamos muito e Charlie tirou muitissimas fotos. Foi bem interessante.

Eu ja estava exausta e Delhi nao é um lugar de descanso. Tentei ter paciencia e conhecer um pouco da capital. Dia 26 pegamos o voo para Kathmandu, no aviao pensei bastante sobre as ultimas semanas e sou grata pela experiencia que tive mas nao sei se voltaria a India. Estava aliviada.

Jaisalmer

Jaisalmer também é conhecida como"cidade dourada". O sol refletido nas fachadas de arenito amarelo realmente dá essa impressão. "Nenhum outro lugar evoca o esplendor do antigo deserto e das exóticas rotas de comércio", quando li isso no nosso guia achei um pouco exageiro mas quando chegamos a Jaisalmer percebi que esse lugar é realmente magico.
Um castelo de areia gigantesco, com aproximadamente 80 metros de altura, situado no morro "Trikuta" chama a atenção devido a sua presença única. A cor do forte e sua grandiosidade fazem com que definitivamente, voltemos aos tempos dos marajás. A cidade está situada no deserto de Thar e faz parte do enorme deserto indiano. A população é de 58.286 habitantes.
O forte foi criado em 1156, por Jaisal - um rajput (grupo de descendentes de dinastias de guerreiros indianos. Antigamente, o filho de um rei era denominado "rajput") - e serviu de cenário para muitas batalhas. A cidade se estabeleceu, cresceu e enriqueceu devido sua localização na rota comercial que ligava a Índia à Ásia Central.
Os havelis, mansões extremamente decoradas, são testemunhos das riquezas acumuladas pois cobravam altas taxas das caravanas que utilizavam a rota pelo deserto.
Nos ficamos num hotel dentro do forte. Como era temporada baixa os hoteis estavam vazios e assim conseguimos um excelente quarto pela metade da tarifa normal. O quarto tinha vista para a cidade e para o deserto.
O programa padrão é o safári de camelo pelo deserto. Charlie e eu fizemos o passeio e foi muito legal. Conhecimos um "Camel Man" chamado Ketha na praca principal e gostamos dele desde o inicio. Ele tinha um turbante rosa e vestia panos brancos com sapatos de Aladin.

Na tarde seguinte fomos com Ketha num onibus local ate uma cidade alguns quilometros de Jaisalmer. O onibus parou na estrada e nos descimos, fomos caminhando no "meio do nada" ate uma vilazinha de poucas casas, logo vimos alguns camelos. Depois de uma hora estavamos prontos para sair, os camelos estavam carregados com nossas coisas, comida, agua e cobertores.

Os camelos estavam sentados e com uma ajuda eu subi no camelo. Ate ai tudo bem, mas a hora que o camelo ficou de pe fui la para cima. Deu um frio na barriga! Charlie estava no camelo dele e depois havia outros dois camelos que seguiram a gente pois eram da mesma familia e eles geralmente nao se separam.

Depois de umas duas horas andando com os camelos chegamos no lugar que iriamos passar a noite. Do lado do lugar escolhido havia uma duna bem grande de areia fininha, fomos ate o topo para assitir o atardecer. Estavamos no deserto!

O sol se pos e Ketha e seu ajudante cozinharam para nos. Primeiro uns bolinhos de farinha com vegetais fritos, depois curry de vegetais com chapatis, arroz doce e whisky do deserto!! A comida muito gostosa mas o whisky espetacular!!! hahaha.

Ficamos conversando enquanto eles cozinharam para nos e jantamos quando ja tinha ficado totalmente escuro, somente a luz da fogueira iluminava nossos rostos. Depois da janta eles cantaram para nos algumas musicas indianas, estavamos caindo de sono!

Cada um ganhou um cobertor e deitamos para dormir. Nada de barracas! O ceu estava tao lindo, repleto de estrelas. De madrugada charlie me acorda para me mostrar a lua cheia que tinha aparecido! Foi como ter um holofote ligado desde o ceu! Foi impressionante.

Na manha seguinte quando acordei todos ja estavam de pe, o chai (cha preto com leite e especias) ja estava pronto! A paisagem era lindissima! vegetacao rala, algumas arvores e areia!! Guardamos tudo e preparamos os camelos. Voltamos por outro caminho ate a estrada onde passava o onibus que levou a gente ate a cidade.

Foi uma noite inesquecivel. Andar de camelo nao 'e a coisa mais confortavel entao 4 horas foi mais que suficiente. O legal mesm0 foi estar no deserto e com duas pessoas locais. Ketha falava muito bem ingles, porem a unica palavra que sabe escrever e' seu nome. Foi muito bom conversar com eles. Eles sao curiosos e nos tambem! Fizemos varias perguntas, ele nos contou dos casamentos arranjados e do casamento do seu filho que vai acontecer este ano (ja estava arranjado ha anos), nos explicou coisas sobre o hinduismo e ficou impressionado quando dissemos que moravamos num pais onde as pessoas comem carne de vaca quase todos os dias!

sexta-feira, abril 25, 2008

A cidade azul

Jodhpur é um lugar que vou lembrar para sempre. Na região Noroeste do estado do Rajastão, a cidade também é conhecida como "cidade azul" pois a maioria das casas da cidade estao pintadas de azul. Diz-se que as casas foram pintadas dessa cor para refletir o calor e espantar os mosquitos.

Ficamos hospedados na centro da zona velha de Jodhpur em que só se pode chegar lá a pé. O hotel tinha um terraço com uma vista fabulosa para o forte e para a parte da cidade.

Fomos conhecer o forte Meherangarh que é o principal cartão postal da cidade e obviamente o mais visitado atrativo turístico. O mesmo é imenso e abriga um palácio dos tempos dos Rajputs. Chegamos no final da tarde e nao conseguimos entrar no museu, mas ficamos passendo e admirando o palacio por fora e admirando a vista da cidade e o atardecer.

Nossa historia - Chegados a Jodhpur pelas 5h30 da manhã, sem a menor ideia de onde íamos ficar instalados, decidimos ficar na estação de trem ate amanhecer e estudar o guia e assim despistar os homens que estao esperando por turistas para ganhar comissoes sobre tarifas de hoteis. Mesmo assim logo veio um oferecer uma estadia no "seu hotel". Dissemos que nao diversas vezes, saimos pela porta lateral da estação e quando estavamos na fila dos taxis perguntando por precos o cara vem correndo... putz! Ele ja foi dizendo ao motorista que nos eramos "dele", no sentido de que ele tinha achado a gente primeiro. Decidimos ir com o taxi mas antes de partirmos o motorista do taxi disse ao cara que vinha seguindo a gente para onde queriamos ir. Chegamos na rua do hotel dissemos muito obrigado ao motorista e saimos andando (nao entramos no hotel - tudo isso para despistar o motorista e assim conseguimos uma tarifa melhor, caso contrario o hotel cobra mais caro do hospede e paga uma comissao para quem trouxe clientes ao hotel). O motorista nos seguiu, disse que estavamos no caminho errado, que aquele era o unico hotel da regiao e que tinhamos que entrar nele... nos nao demos ouvido, fomos caminhando pelas ruazinhas e depois de varios minutos voltamos e o taxi havia indo embora, somente ai fomos para o hotel. Vimos o quarto e no momento em que dissemos que queriamos ficar o garoto vai ate a varanda e grita algo em hindi para alguem que estava na rua. Na sequencia eu fui olhar para ver com quem ele estava falando, era o motorista de taxi e o cara da estacao que estavam na porta!
Aquilo me irritou tanto! Comecei a brigar com o garoto do hotel porque estava jurando de pes juntos que ali nao tinha esquema de comissao. Nos haviamos dito a ele que o motorista do taxi ficou esperando por nos, que nao estavamos ali por causa de uma indicacao do motorista e sim por causa do nosso livro.
Saimos dali brigando com o garoto do hotel e com os caras que estavam na porta. Charlie saiu do hotel e foi falar com o cara da estacao, perguntar o que ele estava fazendo ali e ele responde: "Vim trazer uns turistas"... ah que coincidencia! Seis da manha? No mesmo hotel? Cara de pau!!!
Bom, fomos caminhando ate um outro hotel indicado pelo livro.. ruas estreitas de pedra, vacas e mais vacas no caminho, as vezes a vaca e' tao gorda e a rua tao pequena que voce tem que passar bem encolhido. O sol foi ficando mais forte a luz da manha fazia com que o azul das casas ficasse mais lindo. Caminhamos uns 20 minutos, nos perdemos e depois de perguntar algumas pessoas chegamos a “Cosy Guest House”.

segunda-feira, abril 21, 2008

Aniversario em Udaipur

No dia anterior ao meu aniversario pegamos um onibus de Pushkar para Udaipur e no caminho comecei a me sentir mal, tinha febre. Chegamos ao hotel e depois de tomar um remedio para baixa a febre consegui dormir. Na manha seguinte recebi a visita do medico que me deu antibioticos. Ja tinha ido umas 30 vezes ao banheiro!
Eu estava super orgulhosa, 10 dias de India sem nenhum problema! Nosso livro diz que 80% dos turistas que vem a India ficam doente nas 2 primeiras semanas de viagem.
No dia 16 estava me sentindo muito melhor, fomos jantar num restaurante que fica no ultimo andar de um hotel e tem uma vista lindissima do lago e de toda a cidade. Os garçons tinham turbantes e sapatos pontudos de Aladin.
Em Udaipur conhecimos um espanhol chamado Juan que ficou nosso amigo e passou boa parte do tempo conosco, inclusive foi jantar com a gente para comemorar meu aniversario. Muito engraçado e boa gente! Foi bom poder falar espanhol depois de meses so falando ingles com outros turistas.
Udaipur foi um sonho. É a cidade mais romântica do Rajasthan com formosas fortalezas e belos palácios. Percorrer a parte antiga é uma delícia, tem o Lago Pichola em cuja márgem oriental está situado o Palácio da Cidade, o maior complexo arquitetônico de todo o estado. Uma tarde alugamos um pedalinho e vimos o atardecer desde o lago. A vista da cidade de longe 'e maravilhosa.
Os hoteis e restaurantes tem terraços com vista ao lago. Nosso quarto era espetacular! Eram dois ambientes, com janelas grandes, de frente para o lago. Um mimo!

Perto do nosso hotel tinha um cafe que fomos todas as manhas. Foi la que conhecimos o Juan. Uma manha estavamos conversando e Charlie avistou um elefante descendo a ladeira! "Rami" era o nome dele! Gigante, bem maior do que os elefantes que eu havia visto em Tailandia, Laos..
Eu corri para a foto, depois tive que dar um pouco de dinheiro para os donos do elefante. Quando estendi minha mao com as notas o dono apontou para a tromba do animal.. eu estendi a mao para o elefante e ele pegou as notas com seu nariz e levou para seu dono! Fofinho!

domingo, abril 20, 2008

Pushkar

Pushkar é uma cidade no estado de Rajasthan no noroeste da India. É um importante lugar de peregrinaçao hindu. Pushkar tem um lago e 52 ghats em que peregrinos descem para se banhar nas aguas sagradas e rezar. Pushkar é famosa pela feira de camelos que acontece uma vez por ano.
Nos vimos camelos pelas ruas. É possivel fazer um passeio de camelo de tres horas por uns 6 dolares.
Em Pushkar descansamos, fizemos compras, passeamos. A artesania local 'e muito linda. Tem tapetes (ver foto), roupas, bonecos marionetes, caixinhas feitas de papel mache, joias de prata e muito mais! O calor é intenso e a preguiça aumenta. Da vontade de ficar na sombra olhando o lago, ler um livro e tomar Maaza gelada!

Maaza

Maaza é a bebida oficial da nossa viagem na India! É um suco de manga feito pela Coca-Cola.

Geralmente misturamos uma garrafa de Maaza com meio litro de agua para nao ficar tao doce e espesso. Delicioso!

Taj

De Varanasi pegamos um trem para Agra, esta vez foi bem mais fácil. Estavamos mais tranquilos e sabiamos qual era o esquema. A viagem foi boa, demorou um pouco para chegar. Foi engrçado porque quase nao convermaos com as pessoas que estavam conosco na cabine, mas quando avistaram o Taj Mahal fizeram questao de que Charlie e eu sentassemos na janela para ter a melhor vista. Foi emocionante.

Ficamos num hotel bem próximo ao Taj e na manha seguinte fomos bem cedinho ver de perto essa maravilha do mundo moderno. A obra foi feita entre 1630 e 1652 com a força de cerca de 20 mil homens, trazidos de várias cidades do Oriente, para trabalhar no monumento de mármore branco que o imperador Shah Jahan mandou construir em memória de sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, a quem chamava de Mumtaz Mahal ("A jóia do palácio"). Ela morreu após dar à luz o 14º filho, tendo o Taj Mahal sido construído sobre seu túmulo, junto ao rio Yamuna. É realmente lindissimo!

sexta-feira, abril 18, 2008

Varanasi

Uau.. por onde começar? O primeiro dia em Varanasi foi o dia mais intenso de toda a viagem e com certeza o mais desafiante. Estaçao de trem movimentada, motoristas de tuk-tuks e rickshaws gritando oferecendo seus serviços, sol forte, mochila nas costas. Pegamos um tuk-tuk, o mais veloz que tinha andado ate entao, e o mais barbeiro tambem! O motor da motinho ia ao maximo, buzina sem parar e o motorista impaciente. Transito parado. Havia uma pequena manifestaçao, uma passeata, no sentido contrario da rua. Quando consegui ver o que era fiquei em panico. Homens, todos homens com faixas brancas na cabeça com uma escritura arabe de cor verde. Todos gritando, todos agitando os braços. Eu nao tinha ideia o que estavam falando mas aquilo nao era familiar para mim e confesso que estava morrendo de medo. Falei para Charlie, vamos descer do tuk-tuk e entramos em alguma loja! Mas ele me acalmou e todos eles passaram por nos e conseguimos seguir.

O motorista nos deixou numa esquina e disse que nao podia avançar na parte antiga da cidade, mas que em 5 minutos estariamos no lugar que haviamos indicado. Otimo!
Cretino! Deixou a gente no meio do caminho. Caminhamos. Ali nao tinha calçada, nem farol, nem faixa de pedestre, nem respeito. O lance 'e bozinar e avançar. Cada um por si, se vira! Charlie andando tao rapido como se estivesse fugindo da policia e eu tentando seguirlo. Eu queria ir por um canto devagar e ele queria ir pelo meio bem rapido. Estava aterrorizada, nao podia mais. Parei, gritei, chorei. Estava sem o minimo controle da situação.
Chegamos ao hotel alguns minutos depois e a vista era impressionante. As margens do rio Ganges, Varanasi era ali, a cidade mais sagrada da religião hindu. A lenda diz que Varanasi foi fundada pelo deus hindu Shiva e por isso 'e um dos centros mais importantes de peregrinação da India. Da para sentir a energia no ar, as pessoas estao meditando, rezando. Uma espiritualidade muito forte. E o rio 'e o centro de tudo. Sagrado.
A parte velha de Varanasi 'e que esta proxima ao rio, ruas bem pequenas, construçoes super antigas de pedra. A cidade tem muitos sadhus, sao como monjes hindus. A tradiçao shadu consiste em abrir mao de todos os vínculos que os unem ao material na busca dos verdadeiros valores da vida. Passam tempo rezando e meditando. As pessoas doam alimentos aos sadhus ja que estes nao trabalham e moram nas ruas.
A cidade esta cheia de vacas, cabras, bodes, cachorros vira-latas e macacos. Ninguem cuida desses animais, muito menos das fezes que estao por todas partes!
Na nossa primeira noite em Varanasi tivemos a sorte de poder assistir uma cerimonia grande que começou no final da tarde as margens do Rio Ganges. As mulheres casadas pedem que seus homens sejam fieis e as que nao estao casadas pedem um marido. Havia centenas de mulheres vestidas com saris de todas as cores depositando flores, velas nas aguas do rio.
Rezavam, pintavam o pontinho vermelho na testa entre elas. Eu observei e tentei entender um pouco. Descobri como identificar uma mulher casada de uma mulher solteira, por exemplo, a casada tem uma linha vermelha pintada na risca do cabelo, a solteira nao. A cerimonia continuava com musica e um grupo de homens rezando, foi muito lindo, chorei de emoçao!
No dia seguinte caminhamos por todos os ghats. Sao escadarias que ligam o rio Ganges a cidade. Vimos as pessoas tomando banho e lavando roupa no rio, pessoas meditando, fazendo yoga, meninos jogando cricket, sadhus fumando e donos de barquinhos a procura de clientes.
Num dos extremos da cidade estao os ghats em que sao realizadas as cerimonias de cremaçao. Do nosso hotel dava para ver o fogo. Duas, tres fogueiras. Pessoas de todas partes da India querem morrer em Varanasi e terem suas cinzas jogadas no rio Ganges. Um dia fomos caminhando ate esse ghat, qualquer pessoa pode sentar e assistir as cermonias, tudo é feito ao ar livre, ali na frente do rio. Mas nao ficamos para assistir.

No ultimo dia acordamos bem cedo, alugamos um barquinho para ver o amanhecer e passear pelo rio. O passeio durou uma hora e meia, senti muita paz. Varanasi tem vida.

sábado, abril 12, 2008

INDIA

O plano era outro. Desistimos de visitar o Vietnam e terminamos comprando duas passagens para Calcutta. Foi dificil falar "ok, vamos!". Conversei com algumas pessoas que ja haviam estado na India e todos dizem o mesmo: 'e tudo de bom e tudo de ruim ao mesmo tempo. 'E intenso e desafiante a cada minuto. Diferente de nossos padroes ocidentais.
Pegamos um voo para Calcutta pois era o voo mais barato desde Bangkok. No aeroporto de Bangkok, no guiche da Air India ja deu ver um pouquinho o que me esperava. Homens, homens, homens! Onde estao as mulheres??1 fila, 2, 3? Fila? Uma multidao tentando chegar primeiro no guiche. Ainda bem que tinha uma pessoa atendendo somente estrangeiros.
Eu tinha um frio na barriga tremendo. No aviao assisti um filme de Bollywood enquanto comia um sanduiche com paneer, o queijo mais popular da India. Fui me acalmando e tentei manter o pensamento positivo! India vai ser incrivel! India vai ser incrivel!
O piloto anunciou a descida do aviao e Charlie e eu ficamos grudados na janela para poder ver um pouco da cidade. Eu estava esperando sobrevoar uma cidade como Sao Paulo, grande, densa, concreto! A cidade apareceu somente nos ultimos segundos antes de aterrissar e para nossa surpresa vimos muitas muitas palmeiras!
O aeroporto de Calcutta era velho, a fila para mostrar os documentos foi bem rapida, o que demorou foi para pegar as malas, mais de uma hora olhando para a esteira! "Tudo bem, pensamento positivo", pensei.

Saimos do aeroporto e eu imaginei um batalhao de pessoas gritando "taxi".. que nada! Tudo tranquilo. Pegamos um taxi pre-pago que levou a gente ate o centro. Detalhe: todos os taxis em Calcutta sao iguais, se chamam Ambassador, um modelo feito a partir de 1957. Foi como andar no carro do meu avo!
Charlie chegamos a uma conclusao.. Cuba deve ser parecido! Os carros antigos, os predios velhos, abandono, as pessoas humildes.. ate o momento em que voce ve um monte de vaca no meio da rua! As vacas aqui sao sagradas, sao livres e estao por todas partes.

A medida que o tempo passava viamos mais gente, mais carros, mais rickshaws (triciclos), motos. Muito barulho. Todos buzinam, todos e todo o tempo! As ruas foram ficando mais estreitas. Miseria.
Ao chegarmos na zona onde estao a maioria dos hoteis para "mochileiros, tive a sensacao de estar num cortiço. Fomos olhar uns 6 quartos em diferentes hoteis. Todos bem simples. Roupa de cama limpa? Hmm nao! Parece que molharam, torceram e deixaram secar.. lençois velhos e incardidos.
Decidimos ficar em um que parecia o "melhorzinho". Olhei bem o quarto para saber se tinha alguma possibilidade de recebermos visitas durante a noite, nenhum buraquinho, otimo! O banheiro era bem fuleiro.. o chuveiro nao funcionava entao tomamos banho de caneca mesmo.
Deixamos as coisas e saimos para caminhar. Pessoas e mais pessoas. Estava super curiosa, todos os rostos eram diferentes para mim, a cor da pele (todos os tons de marrom), os cabelos pretos lisos, os bigodes, os olhos grandes. Mulheres com sáris de todas as cores cobrindo todo o corpo, aneis, brincos, piercing no nariz, pulseiras, tornozeleiras, unhas pintadas, olhos pintados. Eu fiquei fascinada! Os homens se vestem como nos 70's. As calças justas, com cintura alta, camisa para dentro.
Nas ruas tinha muita sujeira, cheiro forte de urina, poluiçao dos carros e motos, misturado com cheiro de insenso e curry. Tudo chamou nossa atençao.

Comimos num restaurante perto do nosso "hotel". Pedimos dois Thalis, 'e uma bandeija que contem varios potes contendo pequenas porçoes de pratos indianos. vem com arroz, dal (geralmente lentilha), vegetais com curry, chapati (pao indiano), curd (yogurt) e salada. Delicioso. Fazia calor, depois de comer estava derretendo!
Caminhamos e encontramos uma rua principal, onde estava o mercado. Era domingo e havia muitas familias nas ruas, vendedores ambulantes e postos de comida nas esquinas. Vendedores de Chai (cha misturado com leite e canela, gengibre e outros segredinhos mais). O chai 'e servido num vasinho de barro e depois as pessoas jogam no chao mesmo. Nos provamos e adoramos!

Entramos no mercado.. "madam, madam, come see my store", todos falam com vc, todos insistem muito para que vc compre o que for, caminham do seu lado, perguntam de onde vc 'e, o que vc esta procurando, querem te vender e sao persistentes. Da vontade de gritar, empurrar, sair correndo! Mas com o tempo vc aprende a ignorar e se acostuma com o barulho.
No final do nosso primeiro dia em Calcutta estavamos exaustos. Felizes de estar na India.