sexta-feira, abril 18, 2008

Varanasi

Uau.. por onde começar? O primeiro dia em Varanasi foi o dia mais intenso de toda a viagem e com certeza o mais desafiante. Estaçao de trem movimentada, motoristas de tuk-tuks e rickshaws gritando oferecendo seus serviços, sol forte, mochila nas costas. Pegamos um tuk-tuk, o mais veloz que tinha andado ate entao, e o mais barbeiro tambem! O motor da motinho ia ao maximo, buzina sem parar e o motorista impaciente. Transito parado. Havia uma pequena manifestaçao, uma passeata, no sentido contrario da rua. Quando consegui ver o que era fiquei em panico. Homens, todos homens com faixas brancas na cabeça com uma escritura arabe de cor verde. Todos gritando, todos agitando os braços. Eu nao tinha ideia o que estavam falando mas aquilo nao era familiar para mim e confesso que estava morrendo de medo. Falei para Charlie, vamos descer do tuk-tuk e entramos em alguma loja! Mas ele me acalmou e todos eles passaram por nos e conseguimos seguir.

O motorista nos deixou numa esquina e disse que nao podia avançar na parte antiga da cidade, mas que em 5 minutos estariamos no lugar que haviamos indicado. Otimo!
Cretino! Deixou a gente no meio do caminho. Caminhamos. Ali nao tinha calçada, nem farol, nem faixa de pedestre, nem respeito. O lance 'e bozinar e avançar. Cada um por si, se vira! Charlie andando tao rapido como se estivesse fugindo da policia e eu tentando seguirlo. Eu queria ir por um canto devagar e ele queria ir pelo meio bem rapido. Estava aterrorizada, nao podia mais. Parei, gritei, chorei. Estava sem o minimo controle da situação.
Chegamos ao hotel alguns minutos depois e a vista era impressionante. As margens do rio Ganges, Varanasi era ali, a cidade mais sagrada da religião hindu. A lenda diz que Varanasi foi fundada pelo deus hindu Shiva e por isso 'e um dos centros mais importantes de peregrinação da India. Da para sentir a energia no ar, as pessoas estao meditando, rezando. Uma espiritualidade muito forte. E o rio 'e o centro de tudo. Sagrado.
A parte velha de Varanasi 'e que esta proxima ao rio, ruas bem pequenas, construçoes super antigas de pedra. A cidade tem muitos sadhus, sao como monjes hindus. A tradiçao shadu consiste em abrir mao de todos os vínculos que os unem ao material na busca dos verdadeiros valores da vida. Passam tempo rezando e meditando. As pessoas doam alimentos aos sadhus ja que estes nao trabalham e moram nas ruas.
A cidade esta cheia de vacas, cabras, bodes, cachorros vira-latas e macacos. Ninguem cuida desses animais, muito menos das fezes que estao por todas partes!
Na nossa primeira noite em Varanasi tivemos a sorte de poder assistir uma cerimonia grande que começou no final da tarde as margens do Rio Ganges. As mulheres casadas pedem que seus homens sejam fieis e as que nao estao casadas pedem um marido. Havia centenas de mulheres vestidas com saris de todas as cores depositando flores, velas nas aguas do rio.
Rezavam, pintavam o pontinho vermelho na testa entre elas. Eu observei e tentei entender um pouco. Descobri como identificar uma mulher casada de uma mulher solteira, por exemplo, a casada tem uma linha vermelha pintada na risca do cabelo, a solteira nao. A cerimonia continuava com musica e um grupo de homens rezando, foi muito lindo, chorei de emoçao!
No dia seguinte caminhamos por todos os ghats. Sao escadarias que ligam o rio Ganges a cidade. Vimos as pessoas tomando banho e lavando roupa no rio, pessoas meditando, fazendo yoga, meninos jogando cricket, sadhus fumando e donos de barquinhos a procura de clientes.
Num dos extremos da cidade estao os ghats em que sao realizadas as cerimonias de cremaçao. Do nosso hotel dava para ver o fogo. Duas, tres fogueiras. Pessoas de todas partes da India querem morrer em Varanasi e terem suas cinzas jogadas no rio Ganges. Um dia fomos caminhando ate esse ghat, qualquer pessoa pode sentar e assistir as cermonias, tudo é feito ao ar livre, ali na frente do rio. Mas nao ficamos para assistir.

No ultimo dia acordamos bem cedo, alugamos um barquinho para ver o amanhecer e passear pelo rio. O passeio durou uma hora e meia, senti muita paz. Varanasi tem vida.

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