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quarta-feira, junho 18, 2008

A ultima noite...

De Kathmandu voamos para Calcutta, chegamos no final da tarde e fomos diretamente para um hotel proximo ao aeroporto indicado pelo nosso livro da India.
A rua estava em construcao, o transito uma zona, tanta coisa acontece numa rua da India, incrivel! Gente para todo lado... e buzinas.. ai como me incomoda as buzinas!
O "hotel" era antigo, nosso quarto era um quarto indiano mas com privada no banheiro. Lencois manchados (para nao dizer sujos), janela com vista para parede, televisao que nao funciona e ventilador de teto barulhento.
Mas incrivelmente essa noite levamos tudo na esportiva! Ja haviamos comido no aviao entao nao fomos jantar na cidade, ficamos no quarto jogando baralho e rindo da nossa experiencia.. sabiamos que algumos horas depois estariamos novamente no aeroporto para ir a Bangkok.
O despertador tocou as 4 da manha e o mesmo taxista que haviamos pego na noite anterior estava esperando por nos na porta do hotel. O carro? Um daqueles Ambassador amarelo, carro tipico de Calcutta!

sábado, abril 12, 2008

Calcutta

Na manha seguinte acordamos cedo e saimos para conhecer outra parte da cidade e comprar as passagens de trem para Varanasi. O transito 'e um caos. Charlie e eu paramos numa esquina so para olhar. De um lado vinha o bonde e atras o onibus, o bonde diminui a velocidade e o "cobrador" pindurado da janela grita o destino do bonde. O onibus que esta atras buzina sem parar. Nao existe ponto de onibus. Na esquina ha' um aglomerado de pessoas, alguns corajosos esperam o onibus ou bonde na rua perto da calçada. Uma zona!! Isso sem falar que os onibus sao bem velhos e o bonde ... pre-historico!
Chegamos no lugar para comprar passagens de trem. Eles te dao um formulario para preencher com sua informaçao e a info do trem que vc quer pegar. Chegamos la as 9:30 da manha e saimos meio-dia e meio! Burocracia? Naoooo imagina! Mas foi engraçado ficar assistindo eles trabalharem.. duas pessoas fazendo o trabalho que um poderia fazer tranquilamente, bate-papo, chazinho...
O trem saia as 8 horas, saimos do hotel as 6:30 e fomos caminhando em busca de um taxi. Depois de caminhar mais de dez quarteiroes conseguimos parar um taxi livre. Dissemos ao motorista que iamos a estacao de trem e ele logo disse 100 rupees e nada de taximetro. Do jeito que ele falou e vendo o caos que estavam as ruas naquela hora aceitamos. Gas carbonico. Carros grudadados. Buzinas.

Depois de 30 minutos chegamos na estacao. Minha primeira viagem de trem na India! Pessoas sentadas do chao, outras deitadas, algumas dormindo. Encontramos nosso trem, entramos por engano num vagao que nao era o nosso, saimos fomos mais proximos ao final e encontramos vagao S7. Ufa! Classe sleeper, isso quer 6 camas por cabine, tres de cada lado uma em cima da outra. Ficamos nas duas de cima, mais privacidade e mais seguro.
Conversamos com as pessoas que viajavam com a gente, todos curriosos queriam saber de que pais eramos, quanto tempo iamos passar na India, se estavamos casados (pergunta basica!! resposta: "casados ha' um ano sem filhos pelo momento"), idade, profissao e se deixar fazem o interrogatorio completo. Geralmente desviamos a conversa e replicamos algumas perguntas a eles.
De uma hora estavamos a vontade no trem, nao era nada do outro mundo. Dormimos com o som do trem e dos ventiladores de teto. Nossa segunda noite na India.

INDIA

O plano era outro. Desistimos de visitar o Vietnam e terminamos comprando duas passagens para Calcutta. Foi dificil falar "ok, vamos!". Conversei com algumas pessoas que ja haviam estado na India e todos dizem o mesmo: 'e tudo de bom e tudo de ruim ao mesmo tempo. 'E intenso e desafiante a cada minuto. Diferente de nossos padroes ocidentais.
Pegamos um voo para Calcutta pois era o voo mais barato desde Bangkok. No aeroporto de Bangkok, no guiche da Air India ja deu ver um pouquinho o que me esperava. Homens, homens, homens! Onde estao as mulheres??1 fila, 2, 3? Fila? Uma multidao tentando chegar primeiro no guiche. Ainda bem que tinha uma pessoa atendendo somente estrangeiros.
Eu tinha um frio na barriga tremendo. No aviao assisti um filme de Bollywood enquanto comia um sanduiche com paneer, o queijo mais popular da India. Fui me acalmando e tentei manter o pensamento positivo! India vai ser incrivel! India vai ser incrivel!
O piloto anunciou a descida do aviao e Charlie e eu ficamos grudados na janela para poder ver um pouco da cidade. Eu estava esperando sobrevoar uma cidade como Sao Paulo, grande, densa, concreto! A cidade apareceu somente nos ultimos segundos antes de aterrissar e para nossa surpresa vimos muitas muitas palmeiras!
O aeroporto de Calcutta era velho, a fila para mostrar os documentos foi bem rapida, o que demorou foi para pegar as malas, mais de uma hora olhando para a esteira! "Tudo bem, pensamento positivo", pensei.

Saimos do aeroporto e eu imaginei um batalhao de pessoas gritando "taxi".. que nada! Tudo tranquilo. Pegamos um taxi pre-pago que levou a gente ate o centro. Detalhe: todos os taxis em Calcutta sao iguais, se chamam Ambassador, um modelo feito a partir de 1957. Foi como andar no carro do meu avo!
Charlie chegamos a uma conclusao.. Cuba deve ser parecido! Os carros antigos, os predios velhos, abandono, as pessoas humildes.. ate o momento em que voce ve um monte de vaca no meio da rua! As vacas aqui sao sagradas, sao livres e estao por todas partes.

A medida que o tempo passava viamos mais gente, mais carros, mais rickshaws (triciclos), motos. Muito barulho. Todos buzinam, todos e todo o tempo! As ruas foram ficando mais estreitas. Miseria.
Ao chegarmos na zona onde estao a maioria dos hoteis para "mochileiros, tive a sensacao de estar num cortiço. Fomos olhar uns 6 quartos em diferentes hoteis. Todos bem simples. Roupa de cama limpa? Hmm nao! Parece que molharam, torceram e deixaram secar.. lençois velhos e incardidos.
Decidimos ficar em um que parecia o "melhorzinho". Olhei bem o quarto para saber se tinha alguma possibilidade de recebermos visitas durante a noite, nenhum buraquinho, otimo! O banheiro era bem fuleiro.. o chuveiro nao funcionava entao tomamos banho de caneca mesmo.
Deixamos as coisas e saimos para caminhar. Pessoas e mais pessoas. Estava super curiosa, todos os rostos eram diferentes para mim, a cor da pele (todos os tons de marrom), os cabelos pretos lisos, os bigodes, os olhos grandes. Mulheres com sáris de todas as cores cobrindo todo o corpo, aneis, brincos, piercing no nariz, pulseiras, tornozeleiras, unhas pintadas, olhos pintados. Eu fiquei fascinada! Os homens se vestem como nos 70's. As calças justas, com cintura alta, camisa para dentro.
Nas ruas tinha muita sujeira, cheiro forte de urina, poluiçao dos carros e motos, misturado com cheiro de insenso e curry. Tudo chamou nossa atençao.

Comimos num restaurante perto do nosso "hotel". Pedimos dois Thalis, 'e uma bandeija que contem varios potes contendo pequenas porçoes de pratos indianos. vem com arroz, dal (geralmente lentilha), vegetais com curry, chapati (pao indiano), curd (yogurt) e salada. Delicioso. Fazia calor, depois de comer estava derretendo!
Caminhamos e encontramos uma rua principal, onde estava o mercado. Era domingo e havia muitas familias nas ruas, vendedores ambulantes e postos de comida nas esquinas. Vendedores de Chai (cha misturado com leite e canela, gengibre e outros segredinhos mais). O chai 'e servido num vasinho de barro e depois as pessoas jogam no chao mesmo. Nos provamos e adoramos!

Entramos no mercado.. "madam, madam, come see my store", todos falam com vc, todos insistem muito para que vc compre o que for, caminham do seu lado, perguntam de onde vc 'e, o que vc esta procurando, querem te vender e sao persistentes. Da vontade de gritar, empurrar, sair correndo! Mas com o tempo vc aprende a ignorar e se acostuma com o barulho.
No final do nosso primeiro dia em Calcutta estavamos exaustos. Felizes de estar na India.