terça-feira, junho 24, 2008

Ubud

Antes de chegar a Ubud ja sentia carinho porque sabia que seria "minha cidade" por seis semanas. Este 'e o tempo que temos em Bali e o plano e' passar maior parte aqui.
Charlie começou a fase "pre-curso" do MBA e recebeu uma caixa da universidade com livros e materiais e a cada semana tem uma entrega a fazer, por isso, decidimos que o melhor seria escolher uma cidade legal e curtir. Ubud foi a escolhida!

A cidade tem aproximadamente 10 mil habitantes e fica na parte central da ilha de Bali. Esta cercada de plantacoes de arroz, a sensacao que eu tenho 'e que todo espaco de terra 'e aproveitado para o cultivo de arroz. Ha' milhares de coqueiros por toda a ilha. A paisagem 'e muito linda.

Ubud é considerada o coração artístico de Bali, a cidade esta cheia de galerias e lojas de artesanato. Tem um mercado central de artesanias onde vendem cangas e telas com a tradicional de pintura Batik, escultura em madeira, mascaras tipicas de Bali, pinturas e muito mais.

Ubud 'e uma cidade adoravel. Nos primeiros dias andamos por toda a cidade em busca do lugar perfeito para nos, visitamos mais de 50 opçoes de hospedagem, hoteis, pousadas, casa de familia. Encontramos "Family Guest House", como o proprio nome diz 'e uma casa de familia que tem varios quartos disponiveis para hospedes.
- Aqui em Bali 'e comum que uma familia inteira more no mesmo terreno, avos, filhos e netos, entao geralmente tem uma casa principal na entrada, uma area comum onde esta a cozinha e mesa para refeiçoes, um amplo jardim no centro cercado de pequenas "casas" (quarto e banheiro).

Escolhemos a casinha ao fundo do terreno com uma "selva" em volta. De manha cedinho podiamos escutar muitos galos cantando, parecia um concurso para ver quem era o melhor! E ainda temos cafe da manha no quarto! Eu falo para Myoman, a dona da casa, que ela mima a gente como mae. Salada de frutas, cha e o que vc escolher: ovos com pao caseiro, panqueca de coco com banana, "French toast", omelete com vegetais, sanduiche de queijo e tomate.. a cada dia peço um diferente!

Aos poucos fomos conhecendo a cidade e as atividades que oferece. Encontramos um bom centro de yoga e fizemos a inscriçao para 10 aulas cada um, ha' professores de diferentes partes do mundo e o lugar 'e lindo, ideal para relaxar e se concentrar. Alugamos bicicletas e pedalamos a todas partes. De fez em quando vou na piscina de um hotel que fica na mesma rua que nossa "casa", por um dolar posso passar o dia todo la, sempre que eu vou nao tem ninguem, tenho a piscina so para mim! Mas a maioria do tempo temos dedicado a leitura (agora estou lendo Eat, Pray, Love de Elizabeth Gilbert que 'e otimo! Na ultima parte do livro ela conta sobre Ubud e sua experiencia em Bali).

Para aqueles que me conhecem devem achar que a comida aqui nao 'e boa ja que nao tenho dedicado muito espaço para falar sobre isso. (ah que saudades da minha cozinha! Vontade de por em pratica tudo o que aprendi!). Vamos quase todos os dias comer em Mama's, um restaurante pequeno que fica "la na rua de casa"... ela faz o melhor Nasi Campur, que 'e o pratico tipico. Seria o PF brasileiro, 'e um pratao de comida!! Arroz, claro, verduras (geralmente vagem e espinafre) misturada com coco ralado, pedaços de tofu, ovo cozido e graos de soja com molho de tomate. Para acompanhar sempre pedimos um suco de mamao com limao!

Bali 'e um lugar muito especial, tem harmonia. As pessoas sao muito simpaticas, alegres. Dos lugares que visitamos ate agora o povo de Bali 'e nosso preferido, o mais querido!

quarta-feira, junho 18, 2008

Indonesia

Chegamos a Jakarta por volta das 8 da noite. O voo foi tranquilo e estavamos super satisfeitos com AirAsia, a companhia aerea que tem preços promocionais.

A primeira impressao foi reconhecer o alfabeto mas nao conseguir ler. Indonesia 'e o primeiro pais que visitamos nesta viagem que usa o mesmo alfabeto que o nosso. Do aeroporto pegamos um onibus que nos levou ate o centro da cidade, de la pegamos um taxi ate um dos "hoteis" indicados pelo livro. Conseguimos um quarto habitavel e descansamos!
Acordei com o som do auto-falante, no momento nao compreendi o que era, mas logo me dei conta que deveriam ser as 4:30 da manha e esse som vinha da mesquita, os muculmanos estavam rezando sua primeira oracao do dia.
De manha saimos para caminhar em busca de uma padaria, algum lugar para tomar cafe da manha mas terminamos comendo arroz com macarraozinho numa barraca da rua como as pessoas daqui.
De noite pegamos um trem ate Yogyakarta, uma cidade que fica no centro da ilha de Java, 'e um dos centros de cultura javanesa tradicional. O percurso durou 8 horas, chegamos na manha seguinte bem cedo. O trem era otimo e a viagem foi tranquila. Eu nao dormi essa noite, passei todo o tempo lendo "O caçador de pipas", um livro maravilhoso e muito emocionante. Eu estava muito feliz de estar começando uma nova fase da viagem, alem disso as pessoas desde um principio foram muito amaveis conosco.
Fomos a Yogyakarta para visitar Borobodur, o maior monumento budista do mundo. Foi construído no século VIII, originalmente como um templo hinduista. Posteriormente sua construção foi continuada como um stupa budista.
Em 1973 Borobodur começou a ser completamente reconstruido sob o patrocínio da Unesco. O monumento foi totalmente "desmontado", cada pedra foi marcada, tratada e limpada quimicamente, e novamente recolocada. A reforma custou 25 milhões de dólares e durou cerca de uma década.
O passeio foi gostoso, mas foi inevitavel fazer a comparaçao com Angkor na Cambodia. Borobodur 'e um unico templo enquanto Angkor 'e um complexo de templos em ruinas.
Depois de duas noites em Yogyakarta seguimos para o leste. Viajamos 12 horas num jeep com outros 3 turistas ate uma cidadezinha chamada Cemoro Lawang onde passamos a noite. Acordamos as 4 da manha e fomos caminhando ate o vulcao Bromo.
Gunung Bromo (2392m) 'e um vulcao ativo. Caminhamos uma hora numa especie de areia, tinhamos um guia e duas lanternas.. mas nao ajudavam muito ja que havia muito po no ar e a visibilidade era muito pouca. Vimos o amanhecer desde a base do vulcao, de la 'e possivel subir uma escadaria e dar a volta no crater. Quando chegamos subimos alguns degraus e descimos logo em seguida, o vulcao soltava constantemente um vapor que formava uma grande nuvem branca com um cheiro fortissimo a sulfurio: impossivel respirar. Esperamos e quando mudou de direcao subimos ate o crater. A vista era muito bonita.
Do topo do vulcao dava para ver toda essa neblina que cubria a regiao. Quando descimos pudemos ver onde estavamos caminhando mas mesmo assim a neblina era algo impressionante.

Horas depois estavamos novamente no jeep a caminho de Bali. Foram umas 10 horas no total ate Ubud, umas 7 ate chegar na ponta da ilha de Java, depois uma hora de travesia com o ferry e outras 2 dentro de Bali - Destino final!!

De volta a Bangkok

Bangkok 'e como casa para nos. Foi nosso ponto de chegada, nosso ponto de descanso e vai ser nosso ponto final de partida. Chegamos de manha e fomos para o mesmo hotel que haviamos ficado na ultima vez, ate porque tinhamos deixado duas malas guardadas ali. Foi otimo! Ficamos ate no mesmo quarto! Nao tivemos que nos preocupar em aprender a falar as palavras basicas (oi, obrigada, por favor, etc...), tudo era familiar e com gosto percebimos que algumas pessoas lembravam de nos.
No mesmo dia em que chegamos fomos ate a embaixada da Indonesia levar nossos passaportes para tirar o visto. Tinhamos que esperar alguns dias para que ficassem prontos e nesse tempo aproveitamos para curtir a cidade, voltamos a Chinatown que 'e uma delicia! Comimos camaroes empanados, caminhamos pelas ruas cheias de barracas de comida, frutas, verduras, condimentos, peixes, alimentos.. um paraiso para qualquer cozinheiro! Alem das barracas e lojas com todo o tipo de mercadoria.

Depois pegamos o barco que vai pelo rio Chao Praya que cruza a cidade, 'e um otimo meio de transporte ja que Bangkok 'e uma cidade grande. Perto do nosso hotel tem uma "parada" e e' pratico ir de barco em vez de onibus ou metro.
Numa dessas paradas enquanto se espera um barco 'e possivel ver como as pessoas compram sacos de pao de forma picado e alimentam os peixez e pombas... eu tirei uma foto ja que a quantidade de peixes amontodas lutando para conseguir um pedacinho de pao 'e incrivel!
Passamos alguns dias em Bangkok e depois fomos para Ko Samet, uma ilha que fica 2 horas de Bangkok, ficamos la duas noite, foi otimo ver o mar, nadar, curtir a praia. mas sabiamos que iriamos curtir praias muito lindas na Indonesia e voltamos para Bangkok ansiosos para preparar tudo para a terceira "fase" da viagem: Bali!!

A ultima noite...

De Kathmandu voamos para Calcutta, chegamos no final da tarde e fomos diretamente para um hotel proximo ao aeroporto indicado pelo nosso livro da India.
A rua estava em construcao, o transito uma zona, tanta coisa acontece numa rua da India, incrivel! Gente para todo lado... e buzinas.. ai como me incomoda as buzinas!
O "hotel" era antigo, nosso quarto era um quarto indiano mas com privada no banheiro. Lencois manchados (para nao dizer sujos), janela com vista para parede, televisao que nao funciona e ventilador de teto barulhento.
Mas incrivelmente essa noite levamos tudo na esportiva! Ja haviamos comido no aviao entao nao fomos jantar na cidade, ficamos no quarto jogando baralho e rindo da nossa experiencia.. sabiamos que algumos horas depois estariamos novamente no aeroporto para ir a Bangkok.
O despertador tocou as 4 da manha e o mesmo taxista que haviamos pego na noite anterior estava esperando por nos na porta do hotel. O carro? Um daqueles Ambassador amarelo, carro tipico de Calcutta!

sexta-feira, junho 06, 2008

Kathmandu

Kathmandu é a capital e a maior cidade do Nepal. Tem cerca de 670 mil habitantes. Passamos os ultimos 7 dias que tinhamos no Nepal em Kathmandu. Encontramos um hotel economico e confortavel e bons restaurantes proximos ao hotel. Aproveitamos para explorar a cidade, os bairros antigos, as ruas estreitas, os templos, assistir cerimonias, conversar com as pessoas, bisbilhotar lojas com antiguidades, ver lojas e livrarias, ir a um bom restaurante newari e muito mais. Kathmandu 'e uma cidade facinante.


A cidade antiga é característica pela grande quantidade de templos e palácios budistas e hindus, a maioria deles do século XVII. Fomos conhecer Durbar Square, uma praça cheia de templos no centro da cidade, onde muita coisa contece durante o dia.

Na praça tem um escultura chamada Bhairava, uma das manifestaçoes de Shiva. As pessoas vão la e depositam flores, velas, arroz, frutas e rezam. Fiquei la admirando a religiosidade das pessoas, uma energia boa.

Durante a semana que estivemos em Kathmandu aproveitamos para conhecer "Kathmandu Valley", sao outros bairros da cidade e outas pequenas cidades proximas a capital.

Fomos a Patan, uma das principais cidades do Nepal, no sudoeste do vale de Kathmandu, conhecida pelo seu rico património cultural. Tambem tinha uma praça central com templos e um museu que dizem que 'e um dos melhores do pais, mas nao fomos.

Outro dia fomos conhecer Bodhnath, o principal templo budista tibetano de Katmandu, uma das maiores estupas do mundo, e se situa no coração do bairro budista da capital. É um dos monumentos tombados pela UNESCO em 1979.

Eu sentei num banco e fiquei assitindo como as pessoas davam volta na stupa rezando. dava para ver pela forma de vestir e pela fisionomia que ali haviam tibetanos. Adorei conhecer este lugar, me fez sentir perto ao Tibet. Kathmandu 'e incrivel, acho que de todas as cidades que passamos, esta foi uma das que mais me chamou a atencao pela diversidade de coisas que tem para conhecer. Tambem proximo a capital esta Pashupatinath, templo dedicado ao Lord Shiva, é o mais importante templo hindu do Nepal. Situado às margens do sagrado rio Bagmati é o principal local de cremações no Nepal.

Foi como voltar a India. Dificil explicar o que senti quando fui a esse lugar, as pessoas, dezenas de macacos, o rio, o Hinduismo presente. Caminhei em volta do templo (a entrada somente 'e permitida a hindus), observei as pessoas, vi mulheres chorando, a chegada de um corpo, os macacos agressivos, os olhares das pessoas, outro corpo, musica, rezos, um sadu ... chorei, sei la o motivo, estar ali e sentir essa energia tao forte, tao intensa, tudo tao complexo. India deixou marcas dentro de mim e relembrar nao foi facil.

Depois fomos percorrer as ruas em volta do templo e Charlie encontramos um lugar com varios sadus onde as pessoas passavam e deixavam doacoes. Ele entrou, tomou cha com eles, aproveitou para tirar umas fotos.Visitar o templo Pashupatinath foi uma surpresa, nunca pensei que fosse encontrar um lugar assim fora da India. Principalmente depois de ter visitado um templo budista tibetano no dia anterior.

No nosso ultimo dia fomos ao templo Budhanilkantha que tem uma estatua de mais de 5 metros do Deus Vishnu deitado dentro de uma piscina. Assistimos a uma cerimonia em que lavaram a estatua com leite e mel. Havia muitas pessoas la, especialmente mulheres, todas vestidas com saris. As pessoas formavam uma fila para poder tocar os pes de Shiva e deixar oferendas. Foi lindo!

Alem de visitar quase todos os pontos de interesse de Kathmandu, curtimos a cidade, fizemos compras e comimos muito bem! Encontramos um restaurante que ficou eleito como o favorito desde o primeiro dia, Yak Cafe. Comimos um delicioso curry de bufalo, sopas (Thupka), momos, dal bhat.
Deixamos o Nepal com a mesma sensacao que tivemos ao chegar ao pais... um dia vou voltar, que essa foi nossa primeira visita. Um lugar mais que especial, unico!

domingo, maio 25, 2008

Chitwan

Depois do trekking fomos descansar no Parque Nacional Chitwan que fica perto da fronteira com a India. Fomos visitar o centro de reproducao de elefantes e foi uma delicia!!
O centro tem uns 25 animais. Tem elefantes "gravidas" e filhotes. Dava para saber quando um animal adulto estava esperando um elefantinho, sua barriga e' muito maior e ate fica um pouco deformada. Nesse dia aprendimos que o tempo de gestacao 'e de 2 anos e que somente nasce uma cria. E que o elefante recem nascido pesa entra 70 e 100 quilos e pode ficar de pe depois de uma hora que nasceu! Eu nao podia acreditar que estava ali, foi lindo. Tinha um elefante com 2 meses de vida, estava solto e assim podia chegar perto da grade que nos separava.
Quase chorei quando ele veio em minha direcao, ficamos brincando e ele ate queria atravessar a grade para brincar comigo! Hahaha


No dia seguinte fizemos o passeio de elefante dentro do parte. O parque 'e famoso por ter rinocerontes selvagens, um dos poucos lugares do mundo onde se podem ver esses animais soltos na natureza. Vimos um que estava dentro da agua.. mas nao foi nada de mais.. so dava para ver a cabeca e o animal nao se mexeu. Andar de elefante nao 'e a coisa mais confortavel e depois de duas horas voce fica feliz que o passeio chegou ao final.
De tarde fizemos outro passeio, mas esta fez foi em um jeep. Durou toda a tarde e com um grupo de outros turistas fomos em busca de animais selvagens. Vimos muitos veados, passaros de todos os tipos, crocodilo e dois rinocerontes a distancia. Quando ja estavamos voltando para a cidade, na saida do parque, vimos um rinoceronte bem de perto! A vegetacao ali era como uma grama de 1 metro entao nao da para ver muito bem o que tem entre as plantas. De repente vimos um rinoceronte bem de perto. O animal estava bem proximo ao caminho e ao escutar o barulho do motor saiu assustado para dentro da vegetacao. Estamos falando de um animal gigante. Nos assustamos tanto quanto ele, deu para ver bem de perto por uns instantes. Charlie pulava como crianca na parte de tras do jeep falando "vc viu?", "vc viu?". Valeu a pena as cinco horas de espectativa e poeira.
Quando voltamos a cidade recebemos a noticia de que um das femeas do centro de cuidado e reproducao de elefantes tinha tido uma cria na noite anterior. Ficamos muito empolgados com a noticia e na manha seguinte fomos la bem cedinho conhecer o recem-nascido. Bebezinho! Tinha os olhos vermelhos e era magro em comparacao com o outro filhote de 2 meses. Foi lindo ver mae e filho juntos.

sábado, maio 17, 2008

Himalaias

De Bandipur pegamos um ônibus local ate Pokhara, cidade tranquila com um lago e porta de acesso para algumas das principais e conhecidas rotas de trekking do Nepal. A partir de Pokhara, num dia claro, da para apreciar as melhores vistas para os picos da "Annapurna Range". 'E a terceira maior cidade do Nepal e fica a 200 km de Kathmandu.

Em Pokhara conseguimos um ótimo quarto em Lakeside (Glacier Hotel). Amplio, com bom chuveiro e agua quente, televisão, ventilador de teto e uma cama deliciosa!! Ah como isso faz diferença!!! O único problema 'e que a luz acabava varias vezes durante o dia, mas não podíamos culpar o hotel já que a cidade toda fica sem energia. Apagão! Mas quase todos os estabelecimentos tem geradores de energia capazes de fazer funcionar aquela lampâda de emergencia.
Continuo a apreciar muito o povo nepales. Simpático, hospitaleiro e delicado. O Nepal é realmente mais tranquilo em comparação com a Índia. Em Pokhara descansamos, comimos excelente pizza no restaurante do nosso hotel e tomamos infinitos lassis, iogurte e fruta batido no liquidificador!!! Encontramos um lugar onde tomamos os melhores e maiores (750ml) lassis de toda a viagem. Também aproveitamos para fazer umas comprinhas. Já sabíamos que no Nepal iríamos encontrar muitas lojas de montanhismo. Roupa, calcados, sacos de dormir e todos os acessórios! (Detalhe: tudo copia dos originais). Depois de muito pesquisar e pechinchar, compramos dois sacos de dormir lindos recheados com pena de ganso! Eba! Estávamos prontos para nosso trekking.
Entre todas as opções de trekking resolvemos fazer o circuito ate o acampamento base da montanha Annapurna - ABC Trek. (Annapurna é a décima mais alta montanha da Terra. Foi a primeira montanha com mais de 8.000 metros de altitude a ser escalada). Preparamos as mochilas com o essencial, o resto deixamos no hotel. O estimado são 8 dias para realizar esse treeking então não queríamos carregar coisas que não eram necessarias. Estávamos empolgadissimos!! Compramos um mapa da região e tinhamos tudo preparado para ir.
No primeiro dia acordamos bem cedo e fomos de táxi ate Nayapul (1030m), uma cidade que fica 1 hora de Pokhara. La mostramos nossas autorizações e assinamos os livros de entrada a área. Era o começo da nossa aventura! No caminho vimos muitas plantações em terraços, casinhas de pedra ou blocos de adobe cobertas com palha, alguns animais como búfalos e cabras. Cruzamos com turistas que estavam voltando do trekking e com nepalis que levavam as malas para os turistas (porters) ou que acompanhados de burros de carga levavam suprimentos as pequenas vilas da região. O primeiro dia foi pura subida. 3190 degraus seguidos! Chegamos a Gandruk as 2 da tarde, ali passamos o resto da tarde e a noite.
Algo muito legal desse trekking é que esses caminhos só se tem acesso a pé, porem existem pequenas vilas no percurso onde as pessoas podem parar para comer e dormir. Sao chamadas "casas de Chá" (tea houses), com acomodações simples e boa comida.
Na manha seguinte acordamos bem cedo e seguimos nossa caminhada. Nossa meta era chegar a Chamrong (2050m). A trilha foi um pouco mais agradável do que o dia anterior. Mesmo assim tivemos bastante subida e descida no caminho. Atravessamos pequenas pontes precárias, vimos cachoeiras e passamos por muitas plantações. Tinha horas em que o rio estava bem próximo de nos e outras em que ficava uma linha la em baixo da montanha. Nesse dia um cachorro nos seguiu e foi conosco ate Chamrong! Caminhou conosco por horas, uma gracinha, porem teve um momento em que estavamos na duvida em rrelação a qual caminho seguir e seguimos o cachorro que levou a gente a um caminho abandonado. Hahaha. Nosso esquema era mais ou menos assim: caminhar umas duas horas e fazer uma descanso em alguma casa de chá. Nesse dia tomamos um chai (chá com leite e especias) em Gandruk, duas horas depois paramos no caminho para comer um omelete com chapati, depois um chazinho e assim vai...
No caminho conhecimos um americano que nos indicou um lugar para ficar em Chamrong. Na entreda da cidade eu queria ficar no primeiro lugar, não aguentava dar nem mais um passo. Mas fomos ate la e realmente foi ótimo! Tinhamos um quarto com janelas grandes e uma vista espetacular para as montanhas. Logo que chegamos no lugar começou a chover. Banho quente, comida caseira gostosa e chuvinha la fora.. quer mais??? havíamos caminhado umas 6 horas e so queriamos ficar na cama lendo nossos livros e apreciando a vista das montanhas.
A dona do lugar se chamava Sushila e ficamos encantados com ela, super carinhosa. Para a janta eu pedi um Dal Baht e para minha surpresa em vez de lentinha veio feijao!!! Ahhh que delicia, alem disso tinha uma verdura que parecia muito com couve. Repeti duas vezes e fui dormir feliz! O terceiro dia começou bem cedo para nos, partimos logo de manha para evitar o sol e o calor. Descimos ate o rio, atravessamos a ponte e do outro lado subida novamente, quase duas horas depois chegamos a proxima vila, ali paramos para tomar cafe da manha e descansar um pouquinho. Sabiamos que tinhamos um longo dia pela frente pois queriamos ir ate Deurali (3100m), mais de mil metros acima de onde estavamos. Tinhamos que tomar cuidado com a altitude, qualquer sinal de mal estar o recomendado é parar ou até mesmo voltar a vila anterior.
A vegetaçao foi mudando, atravessamos uma floresta densa e umida, cada vez viamos menos gente local. Chegamos a Bamboo, uma pequena vila que fica entre Chamrong e Deurali, por volta do meio dia com chuva. Aproveitamos para comer e esperar a chuva passar. Depois de quase uma hora seguimos caminhando mas logo em seguida a chuva voltou, continuamos mesmo assim ate a proxima vila, Dovan. Ali ficamos uma meia hora ate a chuva parar. E assim foi o resto do dia, chegamos a Deurali depois das 5 da tarde, quase doze horas depois! Estavamos exaustos. Assim que chegamos na "casa de cha" pedimos um balde com agua quente para tomar banho (nao tem chuveiro, nem eletricidade), mas assim que paramos de caminhar nossos corpos esfriaram e bateu aquele frio. Tomei um banho de gato e coloquei roupa quentinha. Essa noite conhecimos um casal de holandeses que ficaram nossos amigos ate o final da viagem, Ampai e Sander.
Estavamos orgulhosos de nosso desempenho no terceiro dia, foi muito dificil, mas estavamos super felizes de ter chegado la. Se tudo desse certo no dia seguinte estariamos no acampamento base do Annapurna!! Mas tinhamos que subir 1000 metros ate chegar la. Na manha seguinte saimos bem cedinho e fomos ate o acampamento base da montanha Macchupachere, 500 metros acima de Deurali, chegamos la em duas horas mas resolvemos parar e ver se tinhamos algum problema com a altitude, tomamos cafe da manha la com nossos amigos holandeses. Tinhamos apenas 1 hora e meia de caminhada ate nosso destino final!! Fomos caminhando devagar num esquema cada um por si sem conversar (era preciso economizar o folego!). Com passos de tartaruga atingimos nosso objetivo! A vista era impressionante. Eu nao podia acreditar que tinhamos chegado la!!
Deixamos nossas malas no quarto e saimos para caminhar. Nao havia muito ali, somente tres hospedagens. Almoçamos Dal Baht e repetimos varias vezes ate ficarmos bem satisfeitos, tomamos chai quentinho e comemoramos quando começou a chuviscar pois sabiamos que logo seria neve. Nevou por quase tres horas. Conhecimos outras pessoas que estavam no mesmo refugio e passamos a tarde reunidos na area comum do lugar, protegidos do frio.
Na base da montanha, pertinho de onde estavamos haviam varias barracas montadas e duas bandeiras, uma do Canada e a outra da Russia, eram as duas expediçoes que iam tentar chegar ao sumit da montanha Annapurna I, 8.091m! Depois tivemos a oportunidade de conversar com algumas das pessoas da expediçao candense. Incrivel. Isso fez a nossa viagem mais especial ainda! Descobrimos que Annapurna 'e a montanha mais dificil de escalar dos Himalaias e que aproximadamente 150 pessoas ja atingiram o topo da montanha, um numero bem inferior se comparado com as mais de 3 mil pessoas que ja subiram Mt.Everest! Muitos montanhistas morreram na tentaviva.
Fomos dormir cedo, com o ar rarefeito e o esforço fisico dos ultimos dias estavamos bem cansados. No meio da noite Charlie acordou e foi ao banheiro, voltou correndo para me acordar, eu resmunguei, disse que nao saia da cama de jeito nenhum, mas acabei cedendo pois vi a empolgação dele. Sai do quarto e não acreditei no que vi. Era o ceu mais lindo que havia visto em toda minha vida! Inumeras estrelas. Eram tantas que deixavam o ceu claro e iluminavam a neve das montanhas que nos cercavam. Enrolados no cobertor ficamos admirando o ceu por um tempo, foi um momento magico!
Acordamos antes mesmo do sol sair, para nossa felicidade o ceu estava limpo, nao havia nem uma nuvem e podiamos apreciar todas as montanhas ao redor. As vistas sobre os gigantes Annapurna I (8.091 m), Annapurna II (7.937 m), Annapurna III (7.555 m), Annapurna IV (7.525 m), Annapurna Sul (7.237 m), Machapuchare (6.993 m) e Lamjung Himal (6.931 m) dominavam a linha do horizonte.
Tiramos um monte de fotos e ficamos esperando o sol aparecer no topo da montanha. Tudo fica cada vez mais branco. Depois do cafe da manha iniciamos a nossa volta. Soubemos de um caminho alternativo proximo ao rio que era mais plano, fomos perguntando e encontramos essa trilha. Percebimos que iamos bem mais rapido do que na ida, na descida e' bem mais facil! Queriamos voltar ate Chamrong mas no meio da tarde comecou a chover e tivemos que parar no caminho, uma vila antes. Caminhamos muito esse dia e estavamos doloridos.
No dia seguinte tinhamos que descer ate o rio e depois subir uma escadaria infinita ate chegar a mesmo hospedagem em Chamrong que haviamos gostado tanto. Senti que estava pagando promessa! Mas respirei fundo e subi sem parar. Uf! Estava dolorida e quando vi minha "mamae nepalesa" Sushila de braços abertos para nos receber decidimos ficar la. Eu queria tomar um bom banho quente, e ali tinha chuveiro com agua quente aquecida com energia solar. Delicia. Depois do banho tomamos chai e ficamos lendo e curtindo a vista das montanhas.
Na manha do setimo dia acordamos bem cedinho e caminhamos muito ate chegar em Nayapul no meio tarde. Chegamos a tempo de pegar o onibus a Pokhara antes da chuva! Duas horas depois estavamos no hotel. Banho quente, pizza e cerveja para comemorar!! Estavamos muito contentes. Uma sensacão unica de conquista!
Foram quilometros de subida e descida pelas trilhas onde so se tem acesso a pe, por montanhas, floresta, aldeias e sempre com as montanhas cheias de neve ao alcance da vista. As pessoas da montanha foram muito simpaticas e sempre com um sorriso nos labios e um alegre "Namaste" que nos cumprimentavam ao passar. Esta viagem é uma excelente introdução à cultura e ao meio natural desta belíssima região do Nepal. Com certeza um dos momentos mais especiais de toda a viagem.

sexta-feira, maio 16, 2008

Nepal

Eu fico tensa quando tenho que voar e esta vez nao foi diferente, o voo Delhi - Kathamandu nao durou muito, mas chacoalhou o suficiente para me deixar dura de panico! A descida 'e muito brusca. Num momento vc esta sobrevoando as montanhas e de repente vc esta em plena descida para aterrizar. Uf! Mas chegamos bem.
O aeroporto de Kathmandu 'e super pequeno, antigo, duas pessoas trabalhando para dar vistos a todos os passajeiros que chegam ao pais. Duas horas na fila para ter o passaporte carimbado. Na fila conhecimos um casal de americanos e depois pegamos o mesmo taxi ate Thamel, o bairro em que estao os hoteis e pousadas.
Depois da India tudo parece mais tranquilo, mais limpo, mais organizado!! Chegamos ao hotel, compramos uma cerveja e fomos ate o ultimo andar ver o atardecer. O ceu estava lindo e dava para ver as montanhas ao fundo.
Na manha seguinte acordei e fui direto para o banheiro.. e fiz varias visitas durante o dia. Acho que foi a comida do aviao e o nervoso (ou alivio?). Passei o dia no quarto, aproveitei para ler nosso novo livro do Nepal e aprender mais sobre o pais. Somente de noite me animei a sair e ir ate um restaurante tibetano tomar uma sopinha. Estava encantada com o bom serviço.
No hotel em que ficamos encontrei o livro "Sete anos no Tibet" em portugues!! Um milagre encontrar um livro em portugues aqui. Pedi emprestado na hora e eles disseram que sim. Eba!
No proximo dia me sentia bem melhor, tomamos cafe da manha e fomos para Bandipur, uma pequena cidade que fica entre Kathamandu e Pokhara. Bandipur fica a uns 7 km da estrada principal, no alto de uma montanha. para chegar ate la pegamos um jeep com acentos na parte de tras. Todo muito apertado, eramos como 15 pessoas (sem contar as que iam no teto). A medida que o jeep vai subinado as vistas sobre os vales e montanhas ficam cada vez melhor.
Bandipur era o lugar perfeito para descansar. Com apenas uma rua principal com as casas antigas e alguns comercios. Automoveis e motos nao sao permitidos na rua principal, assim as crianças brincam com toda a liberdade e os velhos conversam entre si. Ficamos hospedados num quarto a antiga com uma varanda de madeira virada para os vales a sul de Bandipur, otimo refugio. Muito perto da pousada encontramos uma senhora que cozinhava super bem e ficamos os seus fieis clientes ate ao final da nossda estadia. Ali pudemos provar a comida caseira e tipica da regiao. Pedimos "Dal Bhat", o prato nacional do Nepal. Dal é um molho de lentilha, bhat significa arroz. Normalmente é servido numa bandeija com divisoes e vem acompanhado de outros pratos, como achar (picles), curd (iogurte), curry de verduras e papad, um pão feito de feijão, fininho, crocante e temperado. Dal Baht é servido até você dizer chega, voce pode repetir quantas vezes quiser.

Ficamos duas noites em Bandipur e foi uma delicia. Na tarde seguinte choveu bastante. Charlie e eu curtimos muito esse momento, ficamos na varanda vendo a chuva e as nuvens que cobriam o vale. Muito especial!

quarta-feira, maio 14, 2008

DELHI

Em Jaisalmer pegamos um trem que demorou 19 horas para chegar a Delhi. Compramos passagens para classe 3AC, um pouco melhor do que a que vinhamos viajando. O vagao tem ar condicionado e por isso as janelas estao fechadas, portanto 'e bem mais silencioso. Outra vantagem 'e que fornecem roupa de cama, travesseiro e cobertor! Um luxo!! Dormi quase toda a viagem.
Antes mesmo de chegar a estacao deu para ter uma ideia do tamanho de Delhi e da pobreza que existe ai. Favelas, barracos, lixo, muito lixo! Quando estavamos dentro da cidade o trem parou, deveria estar esperando outro trem passar para poder avançar, e nosso vagao ficou bem embaixo de uma ponte. Charlie e eu olhavamos pela janela impressionados como algumas pessoas coletavam e bebiam agua que caia de uma goteira de uma das paredes da ponte. Miseria.
Quando chegamos a estaçao e dali conseguimos um taxi pre-pago ate a regiao onde estao a maioria de hoteis para mochileiros. Encontramos um hotel razoavel depois de ver alguns "muquifos". Fomos a um hotel e o garto nos mostrou um quarto que estava com os lençois sujos, cabelos no ralo do banhiro, toalhas marrons e com cheio de suor, eu perguntei ao garoto "voce nao tem um quarto limpo?" e ele respondeu "Nao". Ah confesso que nao vou sentir saudades deste lado da India!!

Mas finalmente encontramos algo razoavel e saimos para explorar a cidade. Fazia muito calor e o caos nas ruas desanimava um pouco. As pessoas esbarram em voce, os animais impedem a passagem, os carros, motos e rickshaws tocam bozinas sem parar e avançam sem menor prudencia. No mesmo dia em que chegamos conseguimos passagens para Kathmandu, partiriamos dois dias depois.

Para comemorar que tinhamos data marcada para sair da india fomos comer Veggie Burger no McDonald's (recomendaçao de Carmen e Brady) e depois fomos no cinema assitir um filme de Bollywood. Os filmes indianos sao tem grandes producoes, muitos figurantes e geralmente duram 3 horas. O que fomos assistir nao era diferente, nao tinha legenda mas deu para entender o contexto do filme. Muitas cores, muita musica, dança sincronizada mas nada de beijo!! mesmo a cena mais romantica ficou no olhar fuminante e depois veio o abraço.. beijo nem pensar! Qualquer demostracao fisica de carinho entre homem e mulher em publico 'e super mal visto e isso vale para os filmes tambem.

Na manha seguinte fomos de metro inaugurado ha pouco para Old Delhi conhecer a maior mesquita da India, Jama Masjid. Para poder entrar tive que tirar meus sapatos e vestir um robe que cobria todo meu corpo. A mesquita foi originalmente construida em marmore e red stone. O seu campo aberto é capaz de abrigar mais de 25mil pessoas.

Dali fomos passear pelas ruas de Old Delhi, lodo deu para perceber a influencia muçulmana. Minha impressao era que para cada 50 homens havia uma mulher... e essa usava uma burca! Alem disso havia muitos vendedores de carne! Se vc encontrar um açougue na India pode ter certeza que o dono é muçulmano. Passamos quase o dia todo em Old Delhi, caminhamos muito e Charlie tirou muitissimas fotos. Foi bem interessante.

Eu ja estava exausta e Delhi nao é um lugar de descanso. Tentei ter paciencia e conhecer um pouco da capital. Dia 26 pegamos o voo para Kathmandu, no aviao pensei bastante sobre as ultimas semanas e sou grata pela experiencia que tive mas nao sei se voltaria a India. Estava aliviada.

Jaisalmer

Jaisalmer também é conhecida como"cidade dourada". O sol refletido nas fachadas de arenito amarelo realmente dá essa impressão. "Nenhum outro lugar evoca o esplendor do antigo deserto e das exóticas rotas de comércio", quando li isso no nosso guia achei um pouco exageiro mas quando chegamos a Jaisalmer percebi que esse lugar é realmente magico.
Um castelo de areia gigantesco, com aproximadamente 80 metros de altura, situado no morro "Trikuta" chama a atenção devido a sua presença única. A cor do forte e sua grandiosidade fazem com que definitivamente, voltemos aos tempos dos marajás. A cidade está situada no deserto de Thar e faz parte do enorme deserto indiano. A população é de 58.286 habitantes.
O forte foi criado em 1156, por Jaisal - um rajput (grupo de descendentes de dinastias de guerreiros indianos. Antigamente, o filho de um rei era denominado "rajput") - e serviu de cenário para muitas batalhas. A cidade se estabeleceu, cresceu e enriqueceu devido sua localização na rota comercial que ligava a Índia à Ásia Central.
Os havelis, mansões extremamente decoradas, são testemunhos das riquezas acumuladas pois cobravam altas taxas das caravanas que utilizavam a rota pelo deserto.
Nos ficamos num hotel dentro do forte. Como era temporada baixa os hoteis estavam vazios e assim conseguimos um excelente quarto pela metade da tarifa normal. O quarto tinha vista para a cidade e para o deserto.
O programa padrão é o safári de camelo pelo deserto. Charlie e eu fizemos o passeio e foi muito legal. Conhecimos um "Camel Man" chamado Ketha na praca principal e gostamos dele desde o inicio. Ele tinha um turbante rosa e vestia panos brancos com sapatos de Aladin.

Na tarde seguinte fomos com Ketha num onibus local ate uma cidade alguns quilometros de Jaisalmer. O onibus parou na estrada e nos descimos, fomos caminhando no "meio do nada" ate uma vilazinha de poucas casas, logo vimos alguns camelos. Depois de uma hora estavamos prontos para sair, os camelos estavam carregados com nossas coisas, comida, agua e cobertores.

Os camelos estavam sentados e com uma ajuda eu subi no camelo. Ate ai tudo bem, mas a hora que o camelo ficou de pe fui la para cima. Deu um frio na barriga! Charlie estava no camelo dele e depois havia outros dois camelos que seguiram a gente pois eram da mesma familia e eles geralmente nao se separam.

Depois de umas duas horas andando com os camelos chegamos no lugar que iriamos passar a noite. Do lado do lugar escolhido havia uma duna bem grande de areia fininha, fomos ate o topo para assitir o atardecer. Estavamos no deserto!

O sol se pos e Ketha e seu ajudante cozinharam para nos. Primeiro uns bolinhos de farinha com vegetais fritos, depois curry de vegetais com chapatis, arroz doce e whisky do deserto!! A comida muito gostosa mas o whisky espetacular!!! hahaha.

Ficamos conversando enquanto eles cozinharam para nos e jantamos quando ja tinha ficado totalmente escuro, somente a luz da fogueira iluminava nossos rostos. Depois da janta eles cantaram para nos algumas musicas indianas, estavamos caindo de sono!

Cada um ganhou um cobertor e deitamos para dormir. Nada de barracas! O ceu estava tao lindo, repleto de estrelas. De madrugada charlie me acorda para me mostrar a lua cheia que tinha aparecido! Foi como ter um holofote ligado desde o ceu! Foi impressionante.

Na manha seguinte quando acordei todos ja estavam de pe, o chai (cha preto com leite e especias) ja estava pronto! A paisagem era lindissima! vegetacao rala, algumas arvores e areia!! Guardamos tudo e preparamos os camelos. Voltamos por outro caminho ate a estrada onde passava o onibus que levou a gente ate a cidade.

Foi uma noite inesquecivel. Andar de camelo nao 'e a coisa mais confortavel entao 4 horas foi mais que suficiente. O legal mesm0 foi estar no deserto e com duas pessoas locais. Ketha falava muito bem ingles, porem a unica palavra que sabe escrever e' seu nome. Foi muito bom conversar com eles. Eles sao curiosos e nos tambem! Fizemos varias perguntas, ele nos contou dos casamentos arranjados e do casamento do seu filho que vai acontecer este ano (ja estava arranjado ha anos), nos explicou coisas sobre o hinduismo e ficou impressionado quando dissemos que moravamos num pais onde as pessoas comem carne de vaca quase todos os dias!